A Vila de Sintra é hoje um local privilegiado para o turismo e o lazer. Pertencente ao distrito de Lisboa, alberga no seu território a chamada “Paisagem Cultural de Sintra”, a primeira deste tipo a ser reconhecida em 1995, como Património Mundial pela UNESCO.

A ocupação deste território vem do Neolítico, passando pela idade do bronze, ocupação pelo império romano e seguidamente pelo império muçulmano. A 9 de janeiro de 1154, logo após a conquista do Castelo dos Mouros por D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, foi outorgada a Carta de Foral à Vila de Sintra.

Desde então e ao longo dos séculos, a povoação expandiu-se, foram construídos palácios, igrejas e conventos. O clima e o exotismo do local tornaram-na numa vila de eleição. Mas foi já no século XIX, com o espírito romântico da época, que obras emblemáticas como o Palácio da Pena ou o Palácio de Monserrate, deram a conhecer a Vila de Sintra à Europa.

Atualmente, os monumentos e atrações de Sintra, são visitados permanentemente ao longo de todo o ano por milhares de turistas. Apesar de tão grande afluxo, a vila mantém a sua beleza e o seu lado romântico. Para tal, muito tem contribuído o excelente trabalho de preservação dos mais importantes monumentos e além disso, convem recordar que o microclima é sempre o mesmo… ou seja, o visitante pode subitamente mergulhar num denso e inesperado nevoeiro, mas é disso que também é feita a beleza de Sintra!

Entre variadíssimos eventos ao longo do ano, feiras de artesanato permanentes, exposição de esculturas, mercado brocante, festival aura, festejos de datas comemorativas, etc, etc, uma vez por ano, decorre também um evento que já vai sendo tradição na vila: o Festival de Estátuas Vivas, que conta já com a sua 7ª edição.

A Sintra Houses resolveu dar uma volta pelo último festival (fim de semana de 24 a 25 de agosto) e deixar aqui um complementar registo fotográfico.

Se a vila tem continuamente tantos visitantes, imaginemos que é verão, agosto, fim de semana e há também o Festival de Estátuas Vivas. Contudo, é um “mar de gente” diferente, não há pressa, a rua é uma imensa montra. Por todo o lado ouvem-se diferentes idiomas e no local da Volta do Duche, o som de fundo é uma agradável música interpretada ao som de um saxofone.

A mostra de estátuas vivas inicia-se ainda na zona da Estefânea, junto ao Centro Cultural Olga Cadaval, mas é a partir do Jardim da Correnteza, que os artistas se vão concentrando mais.

Neste dia o tempo esteve de feição, talvez um pouco de calor a mais para algumas estátuas vivas, cujos trajes aparentavam não ser os mais cómodos, nem os mais arejados. Mas ser artista não é uma atividade confortável.

A estátua viva de Florbela Espanca estava exposta na Fonte Mourisca, quem conhece, sabe que é um dos locais mais frescos na vila. Esta pode aparentar ser uma arte simples, mas desde o aprumo dos detalhes da caracterização, passando pela imobilização em poses por vezes muito difíceis de manter e a expressividade que mantêm ao longo da exibição, mostram que é um trabalho muito meritório e árduo.

No Largo Rainha Dona Amélia, frente ao Palácio da Vila, encontrávamos as estátuas de vários reis e rainhas. Destaque para a Rainha D. Leonor e D. Fernando, em que poder-se-ia dizer que aqui, na parte da imobilização, o artista tinha à partida o trabalho facilitado. De facto, apenas a sua cara e a mão sobre a mão da Rainha D. Leonor, estavam à vista. Tudo o resto era uma estrutura engenhosamente construída.

No caminho de volta encontrámos a estátua do Pequeno Príncipe, fazendo uma pausa para comer algo no parque de merendas. Não resistimos a pedir-lhe uma foto. Até aqui manteve a pose e foi engraçado constatar, que uma estátua sem ninguém para a admirar, perde o seu verdadeiro sentido. Por isso, é que apesar dos muitos visitantes, Sintra manteve e mantem a sua aura mágica. Quem aqui chega, faz mais que uma simples visita… no fim acaba por ficar a contemplar as estátuas, os monumentos, a natureza, até o clima! E tudo se torna subitamente muito mais romântico.

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