Casa do Ciprestre do arquiteto português Raul Lino

Raul Lino (1879 – 1974) foi um notável arquiteto português, nascido em Lisboa, Portugal. Filho de um comerciante de materiais de construção, Lino foi estudar para Windsor, Inglaterra, durante três anos em 1890, seguidamente rumou para a Alemanha e trabalhou com Albrecht Haupt, até 1897, após o qual retorna a Portugal e completa a sua licenciatura em arquitetura (apenas concluída em 1926).

O trabalho de Raul Lino desenvolve-se em torno da teoria da Casa Portuguesa, na qual o arquiteto idealiza o conceito da arquitetura residencial portuguesa, o seu planeamento e a vida doméstica.

O livro “Casas Portuguesas” é dedicado ao seu mentor Albrecht Haupt, e entre outros conceitos fala acerca da importância das casas serem construídas com materiais adequados, da relevância atribuída ao correto posicionamento das janelas e portas, e do design do espaço interior, no qual a simplicidade e funcionalidade são elementos fundamentais.

Para Raul Lino a paisagem é soberana. A plena integração da casa com a paisagem é conseguida com a “Casa do Cipreste”, desenhada pelo arquiteto para sua residência própria permanente.

Raul Lino procura ir à essência do projeto, o desenho da casa é influenciado pelo tipo de família que nela vai habitar, procurando compreender a vida doméstica dos elementos, mantendo um balanço entre a dimensão e os detalhes.

É atribuído um especial cuidado aos projetos de execução – o arquiteto desenha todos os detalhes, desde os azulejos (usa e abusa dos azulejos de Bordalo Pinheiro) à mobília. Revela um enorme cuidado na prestação de informação aos seus Clientes, elaborando fieis “aguarelas”, para que estes consigam percecionar o resultado final.

O arquiteto é igualmente um ceramista, escritor e ilustrador gráfico. Apaixonado pela música, primeiramente descobre Wagner e seguidamente Bach, escreve acerca da relação entra a música e a arquitetura.

O seu portfólio conta com mais de 700 projetos, sendo nas áreas de Sintra e Cascais onde encontramos a maior concentração das construções de Raul Lino.

Raul Lino foi um grande impulsionador da cosmopolitização de Cascais como destino de verão dos famosos e colunáveis, e em Sintra assumiu-se como um historiador e romancista.

Alguns dos seus trabalhos mais importantes foram:

  • Casa dos Patudos – Alpiarça
  • Cinema Tivoli – Lisboa
  • Casa António Sérgio – Lisboa
  • Casa do Cipreste – Sintra
  • Casa dos Penedos – Sintra
  • Casa Branca – Azenhas do Mar – Sintra
  • Casa Monsalvat – Monte Estoril

Entre outras, menos conhecidas, mas que refletem o espirito do arquiteto.

Casa do Cipreste – Sintra – 1912

Considerada o melhor projeto de Raul Lino, constituída por vários corpos e construída sobre uma rocha. Provavelmente qualquer outro arquiteto a teria ignorado, mas Raul Lino utiliza-a como elemento mais expressivo da habitação.

Casa dos Penedos – Sintra – 1920

Casa magnífica, sobranceira em que o terreno cresce contra a arquitetura, a casa segue a estrutura do terreno, em placas longitudinais, bem definidas. A sucessão de espaços, pátios interiores e exteriores, são de uma riqueza extrema. O espaço é moldado através do moldar da luz. A luz não serve apenas para iluminar arquitetura, mas é uma luz em si mesma, arquitetura.

 

Casa Monsalvat – Monte Estoril

Desenhada para o músico Alexandre Rei Colaço – pianista, Monsalvat é um espaço mágico e deslumbrante, é o nome do castelo no qual é guardado o Santo Graal, o cálice sagrado utilizado na última ceia de Cristo.

Monsalvat é também o lugar sagrado no qual o músico podia criar música, num ambiente inspirador e no retiro da família.

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