A Serra de Sintra formou-se há cerca de 60 a 70 milhões de anos, através de um fenómeno geológico conhecido como “intrusão magmática”. Este processo compreende o aprisionamento de uma bolha de magma no interior da crosta terrestre que lentamente vai solidificando, formando os cristais que constituem o granito. Com as movimentações da crosta terrestre, esta massa de granito acaba por emergir à superfície, formando uma serra.

O microclima de Sintra

Por se erguer perpendicularmente à linha de costa, a Serra de Sintra é o primeiro obstáculo natural para os ventos carregados de humidade oriundos do Oceano Atlântico. Este facto possibilita a criação de um microclima mediterrânico de cariz oceânico, com níveis de humidade típicos dos climas subtropicais.

A evapotranspiração gerada pela floresta e a proteção conferida pelas suas copas, bem como o estrato de manta morta gerada pela queda das folhas e dos ramos, contribuem para a manutenção de temperaturas e de níveis de humidade no solo adequadas ao desenvolvimento de grande diversidade de espécies.

No Reino Fungi

Os cogumelos são frutificações de fungos que se desenvolvem em ambientes húmidos e que têm um papel importantíssimo nos sistemas florestais, nomeadamente na ação que desempenham sobre os ciclos da água, a matéria no solo e a própria sustentabilidade das árvores. O modo como obtêm nutrientes para a sua subsistência acontece quando libertam enzimas no ambiente, que irão degradar a matéria orgânica e também inorgânica, que posteriormente serão por eles absorvidos, tal como uma depuração que ocorre no outono às primeiras chuvas. A grande produção e variedade de substâncias permitem que os cogumelos se desenvolvam em ambientes onde a degradação é complexa, como troncos de árvores e até mesmo solos contaminados. Em 2012, num estudo realizado para a publicação “Cogumelos dos Parques de Sintra”, conduzido pelo Professor João Baptista Ferreira (especialista na área da micologia) e pela Mestre Sofia Gomes, foram identificadas 156 espécies diferentes, das quais 65 são citadas pela primeira vez para a região de Sintra e 17 pela primeira vez em Portugal.

Sabia que…

As associações que muitas vezes encontramos entre fungos e raízes de determinadas plantas, as chamadas “Micorrizas”, auxiliam na absorção de água e sais minerais do solo, principalmente (fósforo e nitrogênio) e protegem os hospedeiros (plantas) de ambientes contaminados com metais pesados, conferindo-lhes maior probabilidade de sobrevivência? Existem diversos fungos que atuam como uma barreira protetora ao formar as Micorrizas, possibilitando às plantas a absorção de mais água. Em troca, os fungos recebem das plantas carbohidratos e aminoácidos essenciais ao seu desenvolvimento, contudo, nem todos os fungos têm o mesmo grau de tolerância aos metais pesados. Os cogumelos têm propriedades incríveis que começam agora a ser descobertas, por exemplo, a espécie “Aspergillus tubingensis” tem uma particularidade única: é capaz de decompor plástico em semanas.

Lesma

Lesmas em novembro

Durante o maior período de atividade dos cogumelos (outubro a novembro), surgem na Serra de Sintra em grande número as lesmas, que são moluscos gastrópodes. Nos trilhos da floresta torna-se necessário redobrar a atenção, elas percorrem lentamente os caminhos entre as carumas e a terra. Em campos agrícolas podem ser um problema sério, porque alimentam-se massivamente de plantas, mas na floresta de Sintra elas contribuem decisivamente para o equilíbrio do ecossistema. Quando se dá a decomposição dos fungos, a par dos vermes e minhocas, as lesmas assumem protagonismo. Elas alimentam-se de matéria em decomposição e podem comer até o dobro do seu peso numa só noite.

Salamandra-comum

Os anfíbios

Se no outono os agentes de decomposição, como lesmas, minhocas e vermes, entram em cena e como na natureza tudo se transforma, é também, chegada a altura de os anfíbios tomarem parte do seu papel no complexo, mas harmonioso, ecossistema da Serra de Sintra. As Salamandras-Comuns, popularizadas pelas suas cores atraentes: preto e amarelo, salpicadas de vermelho, são os únicos anfíbios ovíparos em Portugal. A sua atividade dura sobretudo de setembro até ao fim da primavera, altura em que entram num processo semelhante à hibernação, que se chama estivação e cuja diferença básica para o primeiro, é que este sucede quando a temperatura ambiente é alta. Nessa altura, estes anfíbios recolhem-se para sítios secos, onde podem permanecer sedentários por mais de cem dias. As salamandras alimentam-se de lesmas, caracóis e alguns insetos. Do outono ao inverno, é comum vê-las em poços, nos lagos de Monserrate e à entrada das muitas minas de água em Sintra.

Sabia que…

Crenças populares acerca destes animais foram sendo propagadas e desenvolvidas, uma delas tem a ver com a sua resistência ao fogo, daí também serem apelidadas de “Salamandra de Fogo”, mas na verdade, estes anfíbios apenas são lestos na hora de fugir do calor de um incêndio. As salamandras convivem mal com o calor e é normal no verão descansarem (estivarem) debaixo de troncos. Daí que, quando nas limpezas, ou mais na antiguidade, para a confeção de alimentos, as pessoas faziam uma fogueira com os troncos velhos armazenados, era comum ver-se sair inusitadamente, por entre as chamas, as salamandras que ali estavam a estivar. Certamente que muitos juraram ver os animais saírem incólumes do fogo, mas tinha mais a ver com o facto das chamas ficarem um pouco acima do solo.

Tritões-marmoreados à porta da Villa Maria

O Tritão-Marmoreado, que aqui surge numa fotografia tirada à porta de uma das nossas casas, a Villa Maria, é também da família “Salamandridae”. Tem comportamentos idênticos aos da Salamandra-comum e como tal, alimenta-se igualmente de lesmas e minhocas. Ambas as espécies libertam secreções cutâneas que podem ser fatais para os seus predadores, nomeadamente alguns peixes.

Rã-verde

A Rã-verde

Dos anfíbios mais populares em Sintra e em toda a Península Ibérica, temos a espécie Rã-verde, um anfíbio muito comum que se reproduz na primavera e que podemos ver em atividade até quase ao início do inverno, altura em que hiberna. Estas rãs também se alimentam de moluscos e controlam, com grande voracidade, a população de insetos ao longo de todo o período de atividade. Antes da metamorfose, os girinos alimentam-se de algas e detritos. Em Sintra, a Rã-verde é, entre outros, alimento de Corujas, Garças, Águias, Ginetas, Doninhas e Cobras, como a Cobra de Água Viperina, muito comum em Sintra, em zonas de lagos e ribeiros.

Cobra de água Viperina

De uma forma direta ou indireta, os restantes animais, pertencentes às outras classes, como répteis, roedores, aves, etc., dependem dos anfíbios para subsistirem. Os anfíbios, por usa vez, dependem dos ambientes húmidos para sobreviver e estas áreas húmidas são importantes para a biodiversidade, porque para além destes animais, abrigam várias espécies endêmicas, de características únicas e que só podem subsistir nestes locais.

Além disso, as áreas húmidas, cumprem um papel vital no processo de adaptação e redução das mudanças climáticas, já que estes ambientes retiram grandes quantidades de carbono do ar.

Nenúfares em Monserrate

Plantar o amanhã

Amar e proteger a Serra de Sintra é dos melhores contributos que os locais e os seus visitantes, podem dar para a conservação da natureza. Para os que aqui vivem, cabe a responsabilidade de educar as próximas gerações com comportamentos responsáveis sobre o meio ambiente e adotar as melhores práticas no seu dia-a-dia. Nós, Sintra Houses, assumimos os compromissos do Turismo Sustentável e passamos esse legado a todos os que nos visitam e escolhem as nossas casas de férias, para que também eles possam levar mais longe esta semente de vida em harmonia com o nosso planeta terra.

Sintra Houses faz parte da rede Natural.pt e é galardoada pela GreenKey.
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